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ENTREVISTA-"Recém-nascida", A:10 faz time especializado em fusões e supera bancos no Brasil (08/12/2014)

Por Aluísio Alves
SÃO PAULO (Reuters) - A demanda de empresas nacionais por consultoria senior na busca por investidores estratégicos, que não tem sido atendida pelos maiores bancos, está fazendo o Brasil seguir a tendência global de grandes fusões lideradas por boutiques especializadas, disse uma executiva da A:10 Investimentos.

Aqui, esse movimento está sendo fermentado por um mercado de fusões ainda relativamente vigoroso, mesmo com o fraco ritmo da economia, o que tem levado as grandes grifes financeiras a concentrar seus principais executivos nas operações de maior vulto, disse à Reuters Ana Cabral-Gardner, que ajudou a fundar a A:10 há 18 meses, após mais de 20 anos como executiva em bancos como Barclays, Goldman Sachs e Credit Suisse.

"Num grande banco de investimento, as empresas que atendemos em geral não seriam acompanhadas pelos executivos principais", disse ela. Criada sob medida para atender empresas de consumo e do ramo farmacêutico, a A:10 se vale dos contatos formados ao longo de décadas pelos sócios, todos egressos dos diferentes elos da cadeia de uma fusão. Numa ponta estão Hugo Bethlem, ex-Grupo Pão de Açúcar e Carrefour; Luis Schiriak, ex- Votorantim, Claro, C&A e Euroforma; e Luiz Kaufmann, ex-Kroton, Medial e Aracruz. A bagagem de investidor estratégico tem Marcelo Paiva, ex-gestor do fundo da família Mittal e do Millennium Fund. E Maria Helena Pettersson foi ex-auditora independente na EY.

A receita tem dado frutos. Nos últimos 12 meses, a A:10 assessorou a venda da rede de farmácias Onofre para a norte-americana CVS Caremark, o fechamento de capital do Bob's e a venda da empresa de cosméticos Niele para a francesa L'Oréal, entre outras.

Com isso, em 2014 até junho, a consultoria ficou em sexto no ranking da Anbima de assessores financeiros para fusões, com 11,4 bilhões de reais, superando nomes como Morgan Stanley, BofA Merrill Lynch, Goldman Sachs e Citi.

E a resiliência do mercado, mesmo com a economia brasileira patinando, parece justificar a tese de que as muitas empresas estão preterindo bancos em favor das boutiques. De janeiro a setembro, o volume financeiro das transações anunciadas no Brasil subiu 46 por cento, para 50,24 bilhões de dólares, segundo dados da Thomson Reuters. "Com a queda recente dos preços dos ativos, o mercado está propício para mais operações acontecerem", disse Ana Cabral.

A receita de apostar nos relacionamentos de um time enxuto, mas senior, estende uma tendência dos últimos anos. Na Europa, boutiques de fusões assumiram 32 por cento de participação no setor no começo do ano, ante 6 por cento no mesmo período de 2013. A fusão de 60 bilhões de dólares das cimenteiras Holcim e Lafarge foi liderada pela Zaoui & Co.

As chamadas boutiques também participaram de três quartos das 20 maiores fusões nos Estados Unidos em 2013. No Brasil, desde 2009 pelo menos 5 empresas independentes ficaram entre as maiores no ranking de assessores em fusões. CAMINHO PRÓPRIO

Para evitar repetir o caminho de outras boutiques, que começaram especializadas, mas depois abriram o leque de atuação para gestão de ativos de terceiros, a A:10 vai se manter apenas em fusões, garante a executiva.

"Não queremos ser um mini banco de investimentos", disse a executiva. Mas a consultoria está criando um braço para investir em empresas de menor porte, uma espécie de private equity. O objetivo é comprar participação em empresas com faturamento anual de até 300 milhões de reais, também na área de consumo e farmacêutico. Serão usados recursos próprios dos sócios, de family offices e de outros investidores institucionais, disse ela, acrescentando que a ideia é fazer não mais do que dois ou três investimentos por ano.

"É um mercado com boas oportunidades, mas mal atendido", disse ela.

Source: http://www.dci.com.br/negocios/entrevistarecemnascida,-a10-faz-time-especializado-em-fusoes-e-supera-bancos-no-brasil-id431610.html

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Investidor estrangeiro prioriza setores de consumo e de saúde (03/11/2014)

SÃO PAULO - As multinacionais globais e os grandes fundos de private equity internacional devem priorizar os setores de consumo e de serviços de saúde no Brasil nos próximos anos para aproveitarem os benefícios da nossa estrutura populacional nas décadas de 20 e de 30.

Mas na contramão, esses mesmos investidores internacionais estão em compasso de espera e tentem a evitar aportes em setores regulados como mineração e recursos naturais, energia, infraestrutura, petróleo e gás, e a cadeia do etanol.

"Existe um viés intervencionista do governo brasileiro na economia. Dificilmente se conseguirá investimentos estrangeiros em larga escala para setores regulados no Brasil, isso é um fato", diz a sócia executiva da A10 Investimentos e Assessoria, Ana Cabral Gardner.

No campo positivo, a executiva contou que os players globais de consumo e de saúde estão vendo Brasil com muita atenção. "Os grandes players desses setores estão olhando para o longo prazo, não necessariamente para o próximo governo. Eles olham tendências seculares, de várias gerações e que vão transformar a nossa economia e sociedade", argumenta.

Segundo ela, as transações de fusões e aquisições estão ocorrendo em setores de baixa influência regulatória como de consumo básico. "Mesmo com a crise mundial de 2008, se irá perceber que as ações da Colgate Palmolive nunca caíram, porque ninguém vai deixar de usar os produtos da empresa. São os itens da sua vida, dos quais a pessoa nunca vai prescindir independente de recessão pesada, das pessoas perderem seus empregos na crise extrema".

Ela explicou que em qualquer economia, o setor de consumo perene é muito dinâmico. "Essas companhias geram muito caixa. Isso inclui segmentos de higiene e de cuidados pessoais, vários subsetores da indústria de alimentos. E é o varejo que distribui essas mercadorias. Esses setores estão muito ativos", diz Ana.

Nessa atração de investimentos ela também inclui os setores de serviços de saúde e farmacêuticos. "A grande tendência é o duplo bônus demográfico a partir de 2020, quando a pirâmide populacional se torna um diamante. Os Estados Unidos viveram isso nas décadas de 50 e 60 do século passado", argumentou.

Ana Gardner explicou que se tem o envelhecimento populacional que preocupa a previdência do país. "Mas também é o momento em que o país deixa de ter uma base larga para ter uma população ativa muito maior que a população economicamente inativa, tanto no topo do diamante, como na ponta de baixo. E esse será o momento histórico que mais se criará renda na economia, de maior produtividade".

Ela lembrou que de 2003 para 2013, mais de 59 milhões de pessoas ingressaram na classe média. "O brasileiro é melhor consumidor ocidentalizado que se pode ter, está pronto para consumir e é um gastador", diz.

Risco do aumento do dólar

Mesmo com a confiança no consumo da população brasileira, o sócio executivo da A 10 Investimentos, Marcelo Paiva, considera os riscos do aumento do dólar frente ao real em 2015.

"O fundo de private equity que entrou no Brasil a R$ 1,55 em 2011, e passou nesse período para algo entre R$ 2,45 e R$ 2,50. Mesmo que ele esteja obtendo um retorno de 20% ao ano, não compensou a desvalorização do real", calculou.

Na visão de Paiva, esses fundos de private equity podem estar apresentando retorno negativo no Brasil em dólar. "E o gestor do fundo vai ganhar zero de taxa de performance mesmo tendo feito um investimento que deu retorno em reais", diz.

Paiva lembrou que esses fundos normalmente tem horizonte de longo prazo, entre 8 a 10 anos, para não serem obrigados a sair num momento ruim. "No entanto, entre 2006 e 2008, esses grandes fundos globais como Blackstone e Carlyle listaram suas ações em Bolsa. O é que uma situação bem interessante, se investe em empresas fechadas, mas tem que fazer a prestação de contas para seus acionistas internos no curto prazo. Esses fundos tiveram suas ações penalizadas por causa de aportes em países como o Brasil".

Ele contou que o Brasil sempre foi o mercado mais líquido entre os emergentes. "É o caixa eletrônico, e por isso vê essa volatilidade na moeda. É fácil entrar e sair. O governo até tentou suavizar essa entrada e saída com IOF [Imposto sobre Operações Financeiras]", lembrou.

Ana Gardner explicou que cada vez mais, as operações de fusões e aquisições possuem dois tipos de compradores. O comprador operacional, as grandes multinacionais, e o comprador financeiro, o fundo de private equity. "O câmbio alto é bom para a multinacional, pois os ativos ficam mais baratos. Por outro lado, o investidor de private equity está machucado com o câmbio no atual patamar.Mas ninguém sabe se o câmbio vai parar", diz Ana Gardner.

Segundo ela, essa volatilidade no câmbio diminuiu o ímpeto dos fundos de private equity. "Eles ficam com medo de numa virada de desvalorização, eles entrarem perdendo", afirma.

Sobre o efeito da alta dos juros pelo Fed, o banco central americano, em 2015, Ana Gardner diz que trabalha com três cenários, o benigno, o intermediário e adverso. "Num cenário adverso, o primeiro impacto será no CDS, o risco Brasil, ou seja, a taxa de risco do mercado brasileiro em relação a taxa de risco zero nos Estados Unidos", diz. Ela explicou que os fundos globais de private equity também utilizam recursos captados em dólar. "A taxa de retorno na qual eles recebem a performance é dolarizada. Normalmente, essa taxa de retorno, o custo de oportunidade preferencial é a variação do dólar mais 8% ao ano. Se a taxa de risco Brasil subir, eles vão exigir mais retorno", apontou a executiva da A10.

http://www.dci.com.br/em-destaque/investidor-estrangeiro-prioriza-setores-de-consumo-e-de-saude-id424331.html

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